Joana vai à neve. O sku.


Sexta-feira, 12 de Janeiro de 2019. A noite era fria e cheia de horrores.

Quem me dera! A noite era muuuito quente e eu não conseguia pregar olho. Presa numa quinta em Griesenau, lutava contra o edredão/cobertor/lençol. Uma peça polivalente que provavelmente funcionava melhor quando os alemães não tinham telhado nas casas. Não funciona, DE TODO, quando há: 1 telhado + 5 moças + aquecimento central.

E às 7h tocou o despertador. Pequeno-almoço e toca a ir pra montanha. Mesmo o que me apetecia fazer depois de uma noite de insónia. Mas o ski não espera e o Ken muito menos.

Chegámos a Eichenhof em meia hora. Calçámos as botas, ajudámos a descarregar o material e fomos esperar pelo nosso instrutor. O S. avisou que ia demorar 5 minutos. O pessoal começou a panicar ao ver que os outros grupos já estavam a pôr os skis nos pés E NÓS IAMOS FICAR PRA TRÁS E DEVÍAMOS COMEÇAR A VER COMO ELES FAZIAM E TENTAR PÔR OS SKIS…! (Pequeno esclarecimento: os meus companheiros eram todos maiores de idade). Finalmente o S. lá chegou – mesmo a tempo de evitar um colapso nervoso geral -lá pusemos os skis e começámos a fazer uns exercícios simples: deslizar com os skis, jogos de estafeta e repetir.

(As minhas canelas começaram a sentir uma ligeira pressão).

Depois fomos pra pista dos bebés (sem nós, a média de idades devia andar nos 4 anos). Crianças com skis maiores que elas deslizavam alegremente e sem medo. (Os nossos skis tinham em média 70cm).

Nessa pista assustadoramente inclinada (ERA MESMO MUITO INCLINADA coff coff) começamos por apanhar o “elevador de corda” – esta coisa que se vê aqui em baixo do lado direito onde as pessoas se agarram e depois são puxadas montanha (=lomba) acima. Um dia inteiro agarrado ao raio da corda faz mossa nas mãos e principalmente nos ombros. É horrível ser aprendiz.

Depois de chegarmos lá acima, agarrámo-nos em filinha ao S., todos ensanduichados uns atrás dos outros enquanto ele fazia (e nós não tínhamos opção se não fazer também) sssss até lá abaixo.

Próximo exercício: agarrar um pau de vassoura, o S. no meio e 2 de cada lado a fazer curvas encosta abaixo. Depois o mesmo mas a agarrar a mão do colega do lado.

Depois os instrutores montaram uma espécie de circuito de exercícios. Treino de paragem: deslizar e travar pro lado que o instrutor apontava e, se corresse mal, ser aparado por eles! Uma mini pista de slalom onde se treinavam vários exercícios:

  • Tinman (homem de lata): deslizar pelos obstáculos com o corpo direito e os braços abertos;
  • Piss on the pole (literalmente mijar no poste): levantar o ski do lado do meco;
  • Hand granade (granada de mão): imaginar que temos uma granada entre as pernas e a língua das botas e pressionar as língua com as canelas para a granada não explodir (as minhas canelas começaram a doer);
  • Bounce (pular): chocalhar-nos todos, flectindo os joelhos enquanto contornamos os cones;
  • Ciclope: contornar os obstáculos com o corpo virado para a linha de queda.

E depois puseram uma corda no chão numa linha a unir todos os obstáculos e a coisa complicou-se!

No lado mais alto desta inacessível montanha colocaram outros obstáculos. Estes:

Objectivo: passar pelo meio dos postes verdes com o corpo levantado e contornar os laranjas pelo lado de fora. Parece super simples, mas não é. As curvas têm de ser feitas inclinado os braços pro lado oposto. Ou seja, se a curva é pra esquerda, é preciso esgueirar pra direita e apontar os dois braços pro lado direito. E vice-versa. E a neve escorrega. Muito!

E depois uma pessoa acaba com um meco no meio das pernas e ninguém faz nada pra ajudar. Ou a pessoa continua a deslizar e abalroa 3 mecos duma assentada até esbarrar num instrutor ou num colega e, mais uma vez, ninguém ajuda.

E ouve-se muita piada sobre gostar de paus e tar sempre a cair em cima deles e há muita risota à mistura!

E tenta-se outra vez. E a manhã passou-se assim.

(Ao almoço, as canelas doíam que se fartava. Quis tirar as botas mas tive medo que as pernas inchassem e nunca mais as conseguisse calçar)

Aguentei durante a tarde (passada a repetir os exercícios da manhã) até ser hora do Après Ski.

O Après Ski (literalmente, “depois do ski”) foi passado em Griesenau, na quinta. As regras determinam que uma pessoa não pode tomar banho até passar o Après Ski (que normalmente tem lugar na estância de ski). Daí que quem se quis livrar do cheiro a cavalo acabou brindado de gritos de “SHAME!” “SHAME!” pelo resto do povo quando voltou à sala de jantar.

E com um bife de veado no bucho e morta de cansaço terminei o dia a dormir como um anjinho.