A saga do ski. Episódio III, a vingança dos skiths.

Sim, eu sei… que tudo são recordações… (cfr. Vitor Espadinha)

Não, o que eu queria dizer é: sim, eu sei… este blog anda mais parado que a VCI em hora de ponta. Histórias por acabar, outras que ainda nem começaram (de que vocês não fazem ideia mas eu faço e sei que as estou a procrastinar). Mas vamos ao que interessa.

A saga do ski.

Deixei-vos o relato dos primeiros episódios desta saga (genial na minha opinião) e sei que vocês, queridos leitores, anseiam por mais. (Não mintam. Eu sei)

Passado um ano depois disto ter começado, voltei à pista e sinto que é hora de encerrar este capítulo, pelo menos o relato, porque conto voltar à “cena branca”* muito mais vezes.

No último episódio desta saga, contei-vos como as minhas pernas sofreram terrivelmente por causa das botas. Este novo episódio começa precisamente a tentar resolver isso. Eu e outra criatura que também tinha dói-dóis nas pernocas (mas não tinha admitido a ninguém (#machoman #heróidapista) encontrámo-nos novamente na cave do Ken para encontrar novas botas.

Encontrei rapidamente um par que não me torturava, umas botas lindas, saídas dos anos 80, roxas e brancas – a inveja da Barbie. Uma categoria. As minhas fiéis companheiras de futuros fracassos e sucessos.

E na próxima sexta repetiu-se o ritual. Encontro em Quiddestr., viagem de carro para a Áustria, jantar, paleio, caminha… zzZZZZzzzZZZ

No sábado bem cedo acordámos para este cenário:

E logo logo estava na hora de fazer amizade com os skis outra vez. Recomeçamos na pista dos bebés que, continuo a afirmar, é super íngreme! E depois passamos para a pista do lado porque era hora de usar os BASTÕES!

Oh a alegria!
Finalmente algo a que me agarrar.

Um amigo 
na hora de cair 
e levantar...

Lá passamos a manhã a descobrir como se crava o bastão na neve e quando, e agachar e pular etc, etc & tal. Também repetimos uns Meg Ryans e Monica Lewinskis (já não faço ideia o que era este último mas não devia abonar muito em favor da Monica…)

pista ao lado da dos bebés

Depois passámos para a pista azul. Finalmente uma pista a sério. Com uma gondola e tudo! E assentos aquecidos!

Andámos nesta até ao almoço. O S. deixáva-nos fazer a free run/Schuss** em ski paralelo até meio e depois o resto era ir em frente, benzer-se e rezar. Saltei muitos batimentos cardíacos., mas fui vencendo o medo…

Antes do almoço ainda houve tempo para treinar a descida pro Ken. Depois do almoço ele ia filmar-nos para ver a nossa evolução. Oh yeah, ansiava por ser filmada a esquiar…! NÃO.

* PAUSA PARA ALMOÇO *

(telhado do restaurante)
vista para a pista vermelha

* CONTINUAÇÃO *

REC. A gravar!

Ok, aqui vamos nós. Nós preparámo-nos para isto. O dia está a correr bem. Nada de quedas para já. É só continuar o bom trabalho.

E depois: £§$%€$%?=#@

Caí. No exacto momento em que o Ken estava a filmar. Imortalizado para sempre em VHS: eu a esbardalhar-me lentamente numa pista azul. Depois de ter feito aquela porcaria montes de vezes, sem nódoa. PUMBA.

Estava feito. Acabou-se. Restava-me adormecer a mágoa com glühwein chunga no aprèsski e esperar que o jantar passasse depressa.

Apesar do delicioso frango assado no meu prato, o jantar foi azedado pela visualização dos vídeos.

O Ken passava os vídeos em câmara lenta (como/e) na TV do restaurante e parava muuuuuuitas vezes para dissecar todos os movimentos e dar conselhos. E eu a ver a minha vida a andar pra trás. Só rezava para haver muita gente a cair. Definitivamente não queria ser a única.

Não houve. Mas houve um tipo que não só caiu como também abalroou uma fila de crianças. Uff. Menos mal. A minha não pode ser pior que esta!

E depois chegou a minha vez. O meu vídeo. Eu a deslizar pela montanha (de maneira irrepreensível, achava eu) e o Ken a apontar defeitos. Mesmo antes de eu cair. E eu que achava que me estava a sair tão bem! A queda até já nem era o pior. O pior era a ilusão de ter conseguido dominar aquelas coisas escorregadias.

(Sim, eu sei Vitor… é triste viver de ilusões)

E depois o Ken, ainda a analisar a minha performance videográfica vira-se e diz: “Aquilo ali é medo!”

A SÉRIO KEN? ACHAS MESMO? Me-do? Eu? Eu adoooooooro velocidade! E perder o controlo então?!

Claramente andei a laborar em erro naquela montanha. Aqueles skis idiotas deixaram-me ficar mal. Mas amanhã era outro dia! E a vingança seria gelada.

-10º C pra ser exacta.

*cena branca=neve. Não confundir com cocaína.

**free run: uma descida acentuada na pista que é suposto fazer a toda a brita. As free runs são seguidas normalmente de rectas grandes ou subidas ligeiras para perder velocidade.